Seguimos com a recomendação de COMPRAR em ISAE4. A empresa reportou números ligeiramente abaixo das nossas estimativas e do consenso. Aos atuais níveis de preço, vemos ISAE4 negociando com uma TIR implícita de 11% em termos reais (vs NTN-B 2050 com rendimento implicito de 7,3% em termos reais) – muito interessante se considerarmos a natureza do negócio e qualidade da operação da empresa. Vale lembrar que para além dos números que observamos agora, seguimos com a expectativa de destravamento de valor para a empresa relacionada a uma eventual decisão razoável pela justiça em relação a disputa da empresa com a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (para maiores detalhes, clique aqui onde explicamos o impacto de tal disputa na empresa – Genial Analisa | Possível Acordo com SEFAZ-SP!). Seguimos sem acreditar que aos atuais níveis de preço esse evento esteja precificado. Além disso, apesar da grande previsibilidade nos resultados da empresa, acreditamos que alguns pontos do ponto de vista da operação no 4T24 precisam ser destacados. Citamos: I) bom controle de custos: evolução das receitas acima dos custos operacionais II) expressiva evolução nos investimentos, mostrando a aceleração no desenvolvimento dos seus projetos greenfield e Reforções & Melhorias e III) endividamento bruto de R$10,3 bilhões no 4T24 (vs R$7,9 bilhões no 4T23) como reflexo do pesado plano de investimentos sendo tocado pela empresa, mas ainda assim implicando em uma modesta relação Dívida Líquida/EBITDA de 2,7x – ainda confortável para seguir com o plano de expansão, sem que isso seja um risco ao fluxo de dividendos da empresa. Em dezembro/24, a empresa aprovou uma distribuição de dividendos de R$1,555 bilhões (R$2,36/ação), implicando em um rendimento de c. 10% em relação ao último preço de fechamento do ativo.
Detalhamento do Resultados
Iniciando pela receita líquida, a ISA reportou R$1.2 bilhões no 4T24, um aumento de 4,2% frente a 4T23. Como principais destaques na receita, citamos I) incremento das RAPs de reforços e melhorias energizados ao longo do ano, II) reajustes tarifários por índices inflacionários, III) energização do projeto Minuano em Nov/24, com impacto de R$50 milhões em RAP na empresa sendo parcialmente compensado pelo IV) reperfilamento dos desembolsos do RBSE.
O PMSO gerenciável, foi de R$230 milhões, um aumento de apenas 1,9% frente a 4T24 e mais um trimestre que a empresa demonstrou estrito controle em todas as linhas de custos, gerando uma evolução total na linha de custos abaixo da inflação acumulada do período. Expandindo para os custos totais e despesas, essa linha alcançou R$544 milhões (+35,8% a/a). Principal linha que impactou negativamente os custos totais da empresa foi a linha de contingências referente a um provisionamento de R$69,6 milhões derivado de um processo judicial sofrido pela pela empresa “referente a
processo judicial no qual acionistas minoritários da Empresa Paulista de Transmissão de Energia Elétrica (“EPTE”) pleiteiam a nulidade de sua incorporação pela Companhia ou, de forma subsidiária, a declaração de seu direito de recesso e determinação do pagamento do valor de reembolso de suas ações”. A empresa reportou um EBITDA de R$ 794 milhões no 4T24, queda de -3,9% a/a devido ao efeito não recorrente relacionado ao provisionamento descrito acima.
O resultado financeiro da empresa foi de negativos R$263 milhões no trimestre vs R$180 milhões no 4T23, aumento de 46,1%, explicado pelo maior estoque de dívidas derivado do maior fluxo de investimentos da empresa durante o período. Sem maiores surpresas nas demais linhas, a empresa obteve um lucro líquido de R$ 410 milhões no 4T24, -10% a/a.
Destaca-se aqui, os investimentos da companhia em Reforços & Melhorias (“R&M”) no 4T24 foi de R$411 milhões (vs R$435 milhões no 4T23), prova de que a companhia está empenhada em atingir a meta de R$5 bilhões em investimentos até 2028. R&M são investimentos autorizados pela ANEEL que a ISA CTEEP tem o direito de realizar em suas operações e adicionando uma receita pré-estabelecida (~10% à 12% do montante total) em sua RAP sem a necessidade de participação em leilão – ou seja, um diferencial competitivo muito interessante em um momento marcado por grande competição nos leilões públicos da ANEEL.