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    Publicado em 31 de Março às 01:40:49

    Relatório de Crédito | Fev 26: Concessões Desaceleram e Inadimplência Rural Renova Máxima Novamente

    Em fevereiro de 2026, os dados do Banco Central do Brasil (Bacen) indicaram uma contínua desaceleração no crescimento do crédito, enquanto o movimento de deterioração da qualidade dos ativos continuou ganhando força. Destaque para a inadimplência rural que, após o leve alívio observado em dezembro e piora sequencial em janeiro, renovou novamente a sua máxima histórica.

    Outro destaque do mês foi a desaceleração das concessões de crédito, em parte por conta do feriado de carnaval.

    Concessões: Recuo contínuo mensal e desaceleração do crescimento anual

    As concessões de crédito totalizaram R$ 662,9 bilhões em fevereiro, com recuo de -6,7% m/m que foi impactada em parte pelo feriado de Carnaval e crescimento mais modesto de +3,6% a/a, desacelerando frente ao avanço de janeiro de +10,4% a/a. A queda sequencial é típica do início do ano, mas a perda de fôlego na comparação anual sugere maior cautela das instituições na originação, diante do ambiente de incerteza macroeconômica e da deterioração dos indicadores de qualidade.

    Crédito: Leve Avanço

    O saldo total de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) apresentou uma leve desaceleração em fevereiro, crescendo +9,6% a/a versus +10,1% em janeiro.

    O segmento de empresarial foi o principal responsável pela desaceleração observada no mês: a linha avançou +7,0% a/a em fevereiro versus +8,2% a/a em janeiro. O movimento do segmento de crédito às famílias apresentou a mesma dinâmica no mês: o estoque cresceu +11,2% a/a no segundo mês de 2026 versus +11,3% a/a no mês anterior.

     

    Endividamento e Comprometimento de Renda: Seguindo nas máximas

    ​O endividamento das famílias situou-se em 49,7% em janeiro, permanecendo estável no mês e aumentando 1,1 pp a/a. O comprometimento de renda atingiu 29,3% em janeiro, aumentando +0,1 pp m/m e +1,6 pp a/a. Os dados de fevereiro ainda não estão disponíveis.

    Inadimplência: Aumento sequencial continua

    A inadimplência total do Sistema Financeiro Nacional (SFN), considerando os atrasos superiores a 90 dias, atingiu 4,26% em fevereiro, com alta de +0,19 pp m/m e +1,00 pp a/a, patamar superior ao ciclo de 2016, dando sequência à trajetória de deterioração da qualidade da carteira de crédito, como havíamos apontado por conta da alta da taxa básica de juros.

    Spreads e Juros: Expansão com queda no custo de captação e aumento de risco

    spread bancário médio avançou para 22,1% (+0,5 pp m/m; +2,8 pp a/a), refletindo o aumento sequencial da taxa de empréstimo e o recuo do custo de captação mensal.

    Market Share: Privadas ganham levemente, estrangeiras perdem espaço

    Em fevereiro, as instituições privadas nacionais tiveram participação de 45,4% do crédito total (+0,2 pp m/m; +1,6 pp a/a). Já as instituições públicas (ex-BNDES) registraram variação estável da participação sequencial, com market share de 33,4% (+0,0 pp m/m; -0,9 pp a/a).

    Crédito: Leve avanço, puxado pelas operações PF

    O saldo total de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) avançou +0,4% m/m em fevereiro, alcançando R$ 7,1 trilhões, com o crescimento apresentando desaceleração para +9,6% a/a (vs. +10,1% em janeiro).

    O desempenho no mês foi composto por uma má performance das operações com pessoas jurídicas (PJ) que somaram R$ 2,7 trilhões (+0,0% m/m), enquanto o saldo de crédito às pessoas físicas (PF) mostrou um leve crescimento (+0,6% m/m), em R$ 4,5 trilhões. Na comparação anual, o crédito às famílias cresceu +11,2% a/a (vs. +11,3% em janeiro) e o crédito às empresas também apresentou desaceleração, crescendo +7,0% a/a (vs. +8,2% em janeiro).

    O estoque de crédito com recursos livres totalizou R$ 4,1 trilhões, com leve avanço de +0,1% m/m e alta de +7,7% a/a. A leve alta no mês foi prejudicada por Pessoas Jurídicas (-0,3% m/m), sendo compensada pela linha de Pessoas Físicas que apresentou leve crescimento (+0,3% m/m).

    O crédito livre para PF somou R$ 2,5 trilhões, com avanço de +0,3% m/m e +12,6% a/a. O crescimento no mês foi impulsionado pelas modalidades de cartão de crédito rotativo (+4,3% m/m, +33% a/a) e cartão de crédito financiamento (+3,2% m/m, +19,7% a/a). Destacamos também o forte avanço do crédito consignado privado (+5,9% m/m), produto relançado ano passado, que já atingiu uma carteira de R$ 92,5 bilhões (+125,8% a/a).

    Já o crédito livre para PJ totalizou R$ 1,6 trilhão, apresentando decrescimento no mês (-0,3% m/m e +0,8% a/a). O resultado refletiu a queda em desconto de duplicadas (-2,2% m/m) e desconto de faturas de cartão de crédito (-1,5% m/m), parcialmente compensadas pela alta nas contas de cheque especial garantidas (+3,4% m/m).

    Inadimplência: Deterioração mantida em Agro

    A inadimplência total do Sistema Financeiro Nacional (SFN), considerando os atrasos superiores a 90 dias, atingiu 4,26% em fevereiro, com alta de +0,19 pp m/m e +1,00 pp a/a, dando sequência à trajetória de deterioração da qualidade da carteira de crédito, como havíamos apontado por conta da alta da taxa básica de juros.

    No crédito livre, o índice de inadimplência avançou para 5,5% (+0,24 pp m/m e +0,99 pp a/a), refletindo a piora mensal tanto nas operações com pessoas físicas quanto com pessoas jurídicas. Na carteira de PF, o indicador subiu para 6,9% (+0,2 pp m/m e +1,3 pp a/a) — maior nível desde 2013.  Já nas operações com PJ, a inadimplência atingiu 3,30%, com alta de +0,2 pp m/m e +0,4 pp a/a. No crédito direcionado, a inadimplência apresentou um alta sequencial de +0,13 pp m/m e avanço anual de +1,1 pp a/a. A inadimplência do crédito rural volta a crescer, +0,3 pp m/m, alcançando o maior nível da série histórica (desde 2011), 7,45%. A inadimplência curta (15 a 90 dias), por outro lado, melhorou sequencialmente no segmento rural, atingindo 1,65% em fevereiro (-0,4 pp m/m; +0,5 pp a/a).

    Inadimplência por Modalidade

    Em fevereiro, a inadimplência continuou crescendo nas principais modalidades de crédito livre, com deterioração concentrada em produtos de maior risco, atingindo 4,26% (+0,19 pp t/t e +1 pp a/a)

    No cartão de crédito total com recursos livres, o índice atingiu 9,2% (+0,2 pp m/m e +1,8 pp a/a). Dentro do segmento, o rotativo recuou para 59,8% (-2,7 pp m/m e +5,2 pp a/a), enquanto o parcelado se manteve em 12,9% (+0,0 pp m/m e +1,6 pp a/a).

    No crédito pessoal não consignado, a inadimplência avançou para 8,9% (+0,6 pp m/m e +2,1 pp a/a). No financiamento de veículos, o índice também avançou para 5,9% (+0,3 pp m/m e +1,4 pp a/a). Já no cheque especial, houve recuo de -0,1 pp m/m, para 14,4%, com alta de +1,4 pp a/a.

    Cobertura: Consumo com aumento dos créditos em atraso

    índice de cobertura — que mede a relação entre o saldo de provisões e os créditos vencidos há mais de 90 dias — continuou sendo consumido, recuando -8,44 pp m/m em fevereiro, atingindo 180,8%, com queda forte de –33,9% a/a.

    Spread: Aumento sequencial

    A taxa média de juros das concessões de crédito do SFN alcançou 33,0% a/a em fevereiro, com alta de +0,25 pp m/m e +2,5 pp a/a. O avanço no mês foi puxado principalmente pelas operações com pessoas físicas (PF), cuja taxa média subiu para 38,3% a/a (+0,4 pp m/m e +3,1 pp a/a).

    A taxa de captação recuou marginalmente para 10,9%, recuo de -0,2 pp m/m e -0,3 pp a/a.

    Como resultado, o spread bancário médio avançou para 22,1% (+0,5 pp m/m e +2,8 pp a/a). No segmento de pessoas físicas, o spread atingiu 27,9% (+0,6 pp m/m e +3,3 pp a/a), enquanto nas operações com empresas ficou em 9,2% (estável m/m e +1,0 pp a/a).

    Market Share de Crédito: Ganho de mercado dos bancos privados em fevereiro

    Em fevereiro, as instituições privadas nacionais ganharam participação no mercado de crédito, subindo +0,2 pp m/m (+1,6 pp a/a) para 45,4%.

    Já as instituições públicas (ex-BNDES) se mantiveram estáveis no mês, 33,4% (+0,0 pp m/m e -0,9 pp a/a).

    As instituições estrangeiras perderam participação em -0,2 pp para 13,2%.

    Concessão de Crédito: Queda sequencial e desaceleração anual

    As concessões de crédito totalizaram R$662,9 bilhões em fevereiro, com recuo de -6,69% m/m mas avanço de +3,55% a/a.

    As concessões com recursos livres somaram R$ 612 bilhões, recuando -7,0% m/m e avançando +5,0% a/a. O desempenho no mês foi reflexo das operações com pessoas jurídicas (PJ), que caíram –5,3% m/m (desacelerando para +2,1% a/a), mas principalmente pelas concessões a pessoas físicas (PF), que recuaram -8,1% m/m (+7,1% a/a).

    As concessões com recursos direcionados totalizaram R$ 50,7 bilhões, com queda de -2,6% m/m e –11,6% a/a. O fraco desempenho sequencial no mês foi impulsionado pelas operações com pessoas jurídicas, que retraíram –10,7 pp m/m, enquanto as concessões para pessoas físicas apresentaram leve avanço no mês (+3,6% m/m).

    Na visão anual, a queda também é atribuída ao desempenho de pessoas jurídicas (-17,4% a/a), com destaque para as linhas Recursos BNDES (-37,6% a/a) e Outros (-30,3% a/a), enquanto nas pessoas físicas a queda foi menos acentuada (-7,2% a/a), puxada por crédito rural (-16,6% a/a) e microcrédito (-37,6% a/a).

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